Quanto você acha que vale nosso trabalho?

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Foi esta a pergunta que o Radiohead fez aos seus fãs quando lançou seu sétimo álbum In Rainbows em outubro de 2007. Esta foi a grande e arriscada estratégia do quinteto britânico formado praticamente dentro da Universidade de Oxford (leia-se som cabeça)  para suplantar o vertiginoso buraco negro de downloads que está ingerindo  as grandes gravadoras – na época o quinteto do inquieto Thom York lançou o disco pode-se dizer, independente, sem a intermediação de sua antiga gravadora EMI.  O grupo disponibilizou na época do lançamento, em outubro de 2007, o disco em sua página na internet e o fã poderia pagar o que bem entendesse e “nada” estava incluido. Entretanto, por 40 libras recebia em casa uma edição especial com cd, dois LP´s e um cd com faixa bônus e super encartes lindos de morrer. In Rainbows chegou ao topo das paradas inglesa e americana na primeira semana, isto vendendo o CD direto na loja – 122 mil cópias na primeira semana. Este é o comércio direto entre artista e fãs segundo Arthur Dapieve, colunista da BRAVO!  “Nela, do mesmo modo que o artista tem de confiar no fã a fim de não receber uma banana em troca, o fã tem que confiar no artista para gastar o seu ganha-pão.”

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Outro artista interativo que está muito bem diante do rolo compressor da cultura digital é o produtor, cantor e multiinstrumentista Trent Reznor do Nine Inch Nails. Seu disco conceitual Year Zero que conta a história de um futuro pós- apocalíptico é disponibilizado na Web. Em (http://remix.nin.com) você pode baixar o material gravado para fazer seu próprio remix. O disco Year Zero já virou game e a HBO junto a Trent estão em acordo para a produção de um seriado baseado na história do disco.

É notória a tendência de transcendência do artista para um universo mais conceitual. O Viral está ganhando um espaço gigantesco: lembrem de Malu Magalhães ou Arctic Monkeys. A busca por um espaço na mídia chega a ser um épico e a volatilidade é triste. Grandes artistas hoje vivem de shows e espetáculos e as gravadoras estão querendo associar-se a esta agenda para sobreviver a crise e aos IPODS.

Antes da possibilidade de registro em mídia, para se ouvir música todos recorriam a concertos e esperava-se ansiosamente pela nova peça de um compositor consagrado ou de uma novela teatral ou comédias populares musicadas. Havia uma magia ali, uma celeuma em torno de uma obra. A obra era rara e havia uma meia dúzia de compositores consagrados. E agora? Para onde vai a música? Quem será “a meia dúzia” neste universo saturado e repleto de possibilidades?

Guto Teixeira é compositor e produtor musical.
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1 Comentário para “Quanto você acha que vale nosso trabalho?”

  1. Brunna Stavis Disse:
    30 de abril de 2009 para 16:45

    Adorei o texto!
    Também sou fã da Tape it Easy. O trabalho deles é muito bom!

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